Batismo de Sangue (Brasil 2006) é uma espécie diferente de filme. Dá arrepio. Chega a ser torturante assisti-lo. Sua produção é muito profissional e nos deixa sem expressão diante de todo o horror, reduzidamente reproduzido pela visão do livro de mesmo nome escrito por Frei Betto e do filme de Helvécio Ratton.

Foto: www.adorocinema.com.brQuando assisti Vlado (Brasil 2007) os relatos me chocaram. Mas as imagens deste filme são ainda mais assustadoras. Dizer que nos porões da ditadura brasileira sofreram e morreram muitos cidadãos deste país é pouco. Ali muitos perderam sua dignidade, sua humanidade e tiveram sua essência brutalmente violada em nome da ordem política e social.

A ditadura brasileira foi imbecil. Foi fria e idiota. A tortura nos dá a impressão que o mais sábio, se tivesse vivido àquela época, teria sido me calar. O medo da dor e da humilhação parecem nos convencer que o silêncio era o melhor a fazer. Mas, muitos nos mostraram o contrário e poucos sobreviveram para contar.

Mas o regime militar tinha seu calcanhar de Aquiles, que foi justamente o uso da força, da brutalidade, o que parecia demonstração de superioridade, na verdade era a prova da insustentabilidade dos anos de aço. Tudo isso mexeu com lideranças que em nome da liberdade, deram suas vidas e/ou parte delas.

Assim, nossa democracia, ainda insipiente e corrompida, é melhor que a mais desenvolvida ditadura. Ditadura nem a militar, nem a comunista! A democracia brasileira renasceu a fórceps, e ainda está prematura, o filme de Helvécio e o livro de Betto nos mostram as raízes disso.

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