Serrinha de São Sebastião, Claraval-MG

Serrinha de São Sebastião, Claraval-MG

Em busca de me encontrar, de parar e refletir, fui buscar respostas num lugar que sempre quis conhecer, desde muito tempo atrás. O Mosteiro de Claraval, em Claraval-MG. Distante 330 km da porta da minha casa até o mosteiro, fui em busca de um silêncio que me recebeu assim que saí do carro.

O lugar é no alto, o mais alto da plana cidade de 4 500 habitantes. O monastério quase vigia a calmaria das ruas. Aliás, Claraval, parece aquelas cidades medievais que se organizaram ao redor de mosteiros. E inacreditavelmente, a história da fundação de lá é exatamente essa. O mosteiro foi fundado pelos monges Cisterciences (ordem derivada de São Bento) italianos que chegaram lá em 1960. Fizeram de tudo pra cidade, escola, o centro hípico (que descobri ser a maior atração da cidade, numa longa competição festiva que vai de maio a novembro). Além de hospital, a organização das ruas e o nome. Claraval é uma região da Itália, onde São Bernardo fundou o primeiro mosteiro da ordem. Aliás todo o perímetro urbano de Claraval já pertenceu ao monastério. Além de ser uma enorme construção, estilo neo-gótico, que salta aos olhos assim que se chega ao município por Minas Gerais. Já Franca-SP tá logo ali, a 15 km.

Vista lateral do monastério, para quem vem por Ibiraci-MG

Vista lateral do monastério, para quem vem por Ibiraci-MG

Minha chegada foi na hora das vésperas, oração dos monges que acontece por volta das seis da tarde. Resumir tudo o que vi nesse lugar e senti, seria longo. Mas em Claraval, o silêncio mostra algo mais que as imagens e palavras em vão tentam dizer. Parece que a gente vive aqui fora em busca de algo que já não faz tanto sentido.

Minha primeira oração foi dentro da catedral, enorme, silenciosa e mergulhada numa escuridão, que daria pra chamar de sepulcral, não fosse a vivacidade que se sente por ali. Só as duas luzes que ladeiam a capela do Santíssimo Sacramento penumbravam o caminho. Em silêncio, pensei, ‘não há o que temer’. E fiz um momento de oração. No dia seguinte, fui convidado a me sentar no local reservado aos monges e rezei junto com eles, uma experiência para ser contada por muito anos (e não saberia resumir aqui em palavras).

Parte de uma fonte no interior e no centro da construção do monastério

Parte de uma fonte no interior e no centro da construção do monastério

Um misticismo profundo encerra-se naquelas paredes, para quem ouve as nuances dos cantos dos 8 monges que moram lá e se esforçam para povoar a imensa igreja com suas suaves vozes. E eu, pecador, muitas vezes indigno de estar ali.

Vista do centro do altar, onde abaixo dessa cruz os monges oram, dia e noite.

Vista do centro do altar, onde abaixo dessa cruz os monges oram, dia e noite.

Participei de todos os momentos, claro, curioso e sedento.

Deixei o monastério, nessa quinta (13/03), às 8h41 da manhã. Trazendo um experiência de misticismo profundamente cristão. E querendo ser uma pessoa melhor, mais amável, mais ligada aos valores de amor que o evangelho traz.

Galeria de fotos

Anúncios